segunda-feira, 26 de abril de 2010

30 minutos.

Ir até onde eu deveria ir era apenas 10 minutos, e assim o fiz. A volta eram apenas 10 minutos, mas no final foram 30 minutos. Eu precisava daquilo, precisava andar e pensar. Andei várias quadras que não faziam parte do meu trajeto pra casa, dei voltas e voltas só por dar, porque no fundo eu precisava daquilo. Passei pelas ruas que desconhecia, até você me apresentar. Andei sem nem entender onde estava indo, eu apenas queria ir. E fui. Pra sua casa. Parei em frente, fiquei olhando. Quis chamar, ligar, apertar a campainha, bater palmas, qualquer coisa. Mas eu queria. Mas na hora não quis. Peguei o celular, achei o seu número. Olhei mil vezes, digitei cada número na minha cabeça, mas não passou disso. Quis sentar e ficar olhando, só pra lembrar das poucas vezes em que estive naquele lugar, que ao mesmo tempo me parecia tão desconhecido, mas tão aconchegante. Não quis acreditar o quão patética estava sendo. Desisti. Subi todas aquelas ruas até chegar no centro. Eu podia muito ir direto pro meu lugar, pra poder desabar de uma vez. Mas eu queria sofrer mais. Passei por todos os lugares que me lembram você, e até pelos quais a gente vivia se esbarrando, onde íamos nos dias em que não tínhamos o que fazer. Tinha os restaurantes, as lojas, o banco, as praças, as árvores, os ônibus, as pessoas, a bagunça, a multidão, tinha tudo. Passei por onde nem significou tanto assim, eu só quis lembrar. E no fundo, nem sei ao certo o que deveria ser lembrado, talvez o que nunca tenha sido esquecido. Só compreendia que eu precisava andar, precisava ver pessoas e pensar que existem problemas muito maiores que os meus. Eu queria andar até a chuva começar, ou então até minhas pernas doerem, e foi o que fiz. E finalmente parei. Mas não porque as pernas doeram, o que doeu foi outra coisa, foi a lembrança. Foi o coração.
Agora, se me permitir, vou seguir a vida de antes, de muito antes. E eu precisei apenas de 30 minutos, vento e muita gente pra poder entender o sentido disso. Meu coração precisou doer mais do que de costume. Eu precisei ficar mais estraçalhada. Não que eu me importe de viver estraçalhada, é que no fundo, um dia, te ver estraçalhado me doeu como nenhuma dor jamais conseguiu. Se me permitir, vou desistir agora. Agora.

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