Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem o perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso da loucura. Mas não facilite com a palavra amor. Não a jogue no espaço, bolha de sabão. Não se inebrie com seu engalanado som. Não a empregue sem razão acima de qualquer razão (e é raro). Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra. Não a pronuncie. e assim eu queria meu último poema. Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais. que fosse ardente como um soluço sem lágrimas. Que tivesse a beleza das flores sem perfume e a paixão dos suicidas que se matam sem explicação. Qualquer amor já é um pouquinho de saudade -antes mesmo de ser. Um descanso na loucura.
e eu, atrevida que sou, boto a mão - e tudo mais - nos poemas e nos poetas
(Drummond, Bandeira e Guimarães Rosa).
eis que um não basta para tanto.
e eu, atrevida que sou, boto a mão - e tudo mais - nos poemas e nos poetas
(Drummond, Bandeira e Guimarães Rosa).
eis que um não basta para tanto.
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