NÓ
E percebi que tinha um misto de nó na garganta com ansiedade melancólica, que só eu sabia o que era, mas que nem com um vômito de gritos sairia. Uma inquietação borbulhante e um sonho patético de menina. Identifiquei-me durante o dia, sobre como estava me sentindo, quando vi um passarinho em uma gaiola saltitantemente se debatendo de um lado pro outro. As asas produziam um estalo aterrorizante, fazendo com que aquele simples bater de asas se tornasse o maior estardalhaço em meio ao barulho mais confuso de todas as coisas. Logo vi, aquele passarinho era eu, era exatamente eu, naquele momento. Ele tinha um nó, um nó na garganta e nas asas, mesmo soltas. Ele estava preso. Eu também. Ele queria mais do que estar limitado àqueles quatro conjuntos de gravetos que se fechavam em uma cachola claustrofóbica. Não consegui dormir, não consegui dormir, minha ânsia de uma nova possibilidade, embaçada no mais tosco sinal de sucesso, se apresentava a mim como um grande acontecimento. Todos me olhavam, eu sei que todos me olhavam ,e o pior ainda, sei que todos me achavam a mais patética e lunática na sedenta vontade de algo que nem davam importância. O grito não saía da minha garganta... Até agora não saiu. Mas eu sei que, em um dia não tão iluminado, não tão bonito, não tão oportuno... estarei com um vestido florido pra o mais fúnebre dos fúnebres dos discos em que rodam a minha vida... vibrar com uma melodia diferente, diferente do condenado e do especulado, do previsível... Tomando-me em uma esfera a qual serei centro, fechando toda a gestalten e deixando para trás tudo o que em aberto havia adormecido. Sacudirei a cabeça tão forte com os tambores, sei exatamente dos quais me refiro, que nesse momento, tenho certeza, preferirei morrer, levando comigo um último suspiro da certeza mais instável que eu tinha desde o princípio.by cereja
Nenhum comentário:
Postar um comentário